≡  
16
set
2016

Você pode não reconhecer o nome num primeiro momento, mas Shonda Rhimes é a rainha das séries da TV americana. Criadora de Grey’s Anatomy e de Scandal, produtora executiva de How to ger away with murder, o sucesso dela é tão grande, que garantiu o horário nobre das noites de quinta da rede de TV ABC.

Bem sucedida e mãe de três filhas, é difícil imaginar Shonda como uma pessoa infeliz. Na verdade, nem ela mesma seria capaz de acreditar que isso era verdade, até uma de suas irmãs soltar uma bomba no Dia de Ação de Graças de 2013: Você nunca diz sim pra nada. Sua primeira reação foi a negação, mas essa frase virou um fantasma em sua vida.

trinta-e-poucos-o-ano-em-que-disse-sim-shonda-rhimes

Em O Ano em que disse SIM (Best Seller; 2016; 256p.), Shonda Rhimes conta como a sua vida mudou ao decidir dizer SIM para tudo àquilo do qual vinha fugindo. Começando pela participação no programa Jimmy Kimmel Live.

trinta-e-poucos-o-ano-em-que-disse-sim-shonda-rhimes-trecho-2

Um SIM levava a outro SIM. Em um ano, Shonda encarou de frente problemas que escondeu embaixo do tapete ao longo de muito tempo. A baixa autoestima que resultou em obesidade. A necessidade de se esconder, que impedia que aceitasse convites para entrevistas ou qualquer outra coisa em que tivesse que se expor. A rotina de workaholic, que não deixava muito tempo para aproveitar as filhas.

A gente vive sendo bombardeada por frases de autoajuda, que pregam que tudo o que você quer está fora da sua zona de conforto. Só que mais inspirador que uma frase, é ver como isso funciona na prática. O Ano em que disse SIM é, em primeiro lugar, um livro extremamente inspirador, um obra que fala de empoderamento feminino e da importância do amor próprio.

Shonda Rhimes parecia ter tudo, por ter conquistado muito sucesso profissionalmente. Sem diminuir a grandeza dessa conquista, o livro mostra a importância do equilíbrio e prova que dinheiro e sucesso não tornam as coisas mais fáceis. Os desafios pessoais continuam ali e são expostos no livro de uma forma muito sincera e engraçada. Ele vai cair como uma luva na vida de muitas mães, ao contar que não tem segredo pra equilibrar tudo. Shonda falha, falha muito. Quando está sendo muito bem sucedida no trabalho, a vida pessoal sofre, assim como o contrário também é verdadeiro. Ninguém precisa dar conta de tudo.

Muito mais do que só te inspirar, o livro vai mostrar quem é a mulher por trás de grandes sucessos da TV americana. Shonda não só chegou ao topo de uma indústria extremamente sexista e racista, como vem usando o seu poder para dar voz às mulheres, à comunidade LGBT e aos negros. Não por acaso, as personagens principais de suas séries são mulheres negras fortes. Como ela. Não por acaso, negros saíram de papéis de coadjuvantes para brilhar em suas séries. Gays ganharam família, relações retratadas sem pudores. Shonda fez o que o mundo já deveria estar fazendo há muito tempo, deu a todos os gêneros e raças a mesma importância, os mesmos direitos. Quebrou estereótipos.

A autora não é fã de fugir dos padrões só na ficção. No livro, ela revela que nunca teve a intenção de casar e que já terminou um relacionamento por não estar disposta a se dedicar a uma relação com a mesma intensidade com que se dedica ao trabalho e às filhas. Como sempre quis ser mãe e não queria condicionar isso a uma relação, Shonda recorreu à adoção para ter as suas três meninas, Emmerson, Beckett e Harper.

trinta-e-poucos-o-ano-em-que-disse-sim-shonda-rhimes-trecho-1

O ano em que disse SIM vem com um bônus para os fãs de Grey’s Anatomy. Os fãs da série encontrarão vários trechos que dão detalhes de bastidores. Alguns momentos muito importantes do show também tiveram grande importância na vida de Shonda. No livro, fica claro que Grey's é a sua obra mais querida e que uma das personagens mais importantes, falou por muito tempo tudo o que ela não conseguia.

Recomendo o livro para todas as mulheres. Carregamos o peso das expectativas familiares e sociais. A gente cresce com a obrigação de ter que seguir um roteiro. Shonda Rhimes vem lutando contra isso com suas personagens fortes e independentes. Em O Ano em que disse SIM, ela mostra que levou essa luta para si e encoraja as mulheres a construírem seus roteiros únicos de vida. Você não precisa casar se não quiser. Você não precisa ter filhos se não quiser. O trabalho pode ser uma fonte de amor na sua vida, ele pode ser o seu maior amor. Você pode ter o que quiser, da forma que quiser, é só dizer sim.

Nota – 9 - O livro fica um pouquinho arrastado em alguns trechos. Nada que atrapalhe o seu brilho.

Vai para – a estante. Inspiração pra vida toda.

Bônus dessa resenha:

1 - A TED Talk da Shonda Rhimes sobre o livro

2- O trailer do filme Sim, Senhor, em que Jim Carrey interpreta Carl Allen, um homem que vai a uma palestra de autoajuda com um amigo e decide dizer sim pra tudo o que lhe oferecerem.

 

Comentários: 2

Instagram