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07
set
2016

Beleza, vou casar. Eu consigo fazer isso. Vai dar certo, vamos ter dinheiro. Respira, respira. Quem leu esse post, Coisas que eu só aprendi com o casamento, sabe que o grande dia nunca foi um sonho pra mim. Encontrei o cara da minha vida, ele queria muito, embarquei.

A jornada virou uma tortura. Por nunca ter sonhado com o meu casamento, eu simplesmente não sabia por onde começar. Fora que eu trabalhava insanamente na época dos preparativos e o pior de tudo, sou perfeccionista e muito crítica.

Quando eu notei que o barco ia afundar por conta dessas expectativas loucas inalcançáveis, me entreguei e passei a trabalhar com base na confiança e da empatia. Confiança na Sônia Leote, gentilíssima e dura o bastante pra me ajudar a fazer esse casamento sair. Empatia com os fornecedores. No auge do desespero, decisões baseadas no impulso.

A empatia funcionou. Hoje eu me peguei passando pela sala e suspirando pelo meu álbum de casamento. A autora dessa obra de arte que floreia os nossos dias é a maravilhosa Jann La Pointe. Californiana, Jann veio morar no Rio após se apaixonar pelo marido, brasileiro.

Na época dos preparativos do meu casório, Jann não era das fotógrafas mais famosas do mercado, estava às vésperas de ser indicada a um primeiro prêmio internacional. Nós marcávamos encontros com três fornecedores de cada item. Ah, esqueci de falar que além de perfeccionista, eu sou indecisa. Ou eu limitava as opções, ou estaria organizando o casamento até hoje.

Jann foi a terceira das três opções de fotografia que encontramos. A primeira foi descartada de cara, grande furada. A segunda era incrível, Filipe teria fechado, mas alguma coisa me dizia que não era ela, “Vamos encontrar a última e batemos o martelo”.

Jann marcou a nossa reunião no lugar do meu segundo encontro com o Filipe, um dia que foi muito marcante pra gente. Ele tinha me mandado uma música do Caetano Veloso (Coisa Linda) me chamando pra sair e é essa música que embala o menu do nosso vídeo de casamento. Só que o lugar mudou de nome com o passar do tempo e a gente só entendeu a coincidência quando chegou lá.

Um dos critérios que eu usei algumas vezes pra definir fornecedores foi escolher aqueles que me fizessem gostar de coisas que eu detestava. Foi assim com o buffet, com as doceiras, com a Jann. Sempre achei álbum com foto na capa cafona, estava decidida pela capa de couro tradicional. Ela já tinha nos impactado com a sua energia doce, incrível. E aí, ela sacou a sua obra de arte, um álbum com foto na capa. O casamento desse álbum foi a primeira referência que eu recortei em revista. A casa de festas era a nossa Casa de Santa Teresa. Coincidências não existem.

Senti a afinidade e abusei. Pedi noções de iluminação pra garantir fotos boas, itens bacanas pra dar um efeito legal nas fotos. E ela foi a doçura em pessoa o tempo todo.

Chegou o grande dia, muita coisa deu errado. Confusões com a igreja, um maquiador nada profissional. Um assistente de maquiador que saiu do quarto em que eu me arrumava pra fumar e na volta parou ao lado do vestido. Tiro, porrada e bomba. E ela chegou mudando completamente o ambiente. Cara, como eu admiro pessoas que tem esse poder. Ela tornou tudo mais leve, fez funcionar.

Dor de barriga na hora de sair, manifestação na porta da igreja. Abriram a porta! Meu Deus, essa gente toda tá olhando pra mim... Socorro! Corri até o altar. Sim, corri. Sou estabanada e tímida. Só que eu tenho vergonha dessa timidez e a escondo. Esse dia não deu, corri pra não desmaiar. E ela fez dessa loucura graça. Do desastre com o maquiador, Photoshop delicado. Fez até foto dos policiais que protegiam a igreja da manifestação.

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Jann, olhei o teu trabalho hoje, três anos depois daquela data tão feliz e me emocionei de novo. É uma missão muito linda tocar as pessoas e capturar amor do jeito que você faz. Deu vontade de te escrever pra dizer que me lembro de você com um carinho danado. Que o teu trabalho me emociona e que é lindo ver uma pessoa seguindo a sua vocação com tanto amor.

Espero que um dia eu consiga tocar as pessoas como você me tocou com a sua arte. Sou tua fã.

Comentários: 2

  • Oi Karlinha
    Antes de mais nada adorei seu post falando sobre o que aprendeu com o casamento, apesar de ainda não ter chegado lá achei muito pé no chão e verdadeiro tudo que vc disse.
    E quanto as fotos realmente estão lindas e captaram justamente o momento especial de vocês. Acho que quem trabalha nessa área (casamentos até com crianças e bebês também), tem que ter muita sutiliza e sensibilidade (paciencia rs!) para saber captar o momento certo. E sabe o que eu mais gostei? Além das fotos terem ficado lindas tem muita personalidade

    Bjão
    Pri

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    • Ka Alvera comentou em

      Fico feliz que tenha curtido, Pri. Eu sou suspeita pra falar, mas achei todas as fotos muito incríveis, felizes... Obrigada pelo carinho! Beijos

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