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22
jun
2016

Há tempos eu ouço falar do livro "Como eu era antes de você", mas estava mais focada em outro tipo de leitura. Na semana passada, me deu uma agonia, só faltava um dia pra estreia do filme e eu ainda não havia lido o livro. Amo comparar os dois. Bom, resolvi rápido, dei uma de doida. Comprei o livro na quarta-feira e acabei de ler no sábado de manhã.

"Como eu era antes de você" (Intrínseca; 2016; 320p) conta a história de Louisa Clark, jovem inglesa de 26 anos, que se vê perdida quando o café em que trabalha há seis anos fecha as portas. De volta à agência de empregos, sem faculdade, ela enfrenta uma grande dificuldade pra encontrar um trabalho. Até que aparece uma vaga de cuidadora de um deficiente e ela passa a trabalhar com Will Traynor. Jovem, rico, bem-sucedido e bonito, ele vê a sua vida ser abalada ao ser atropelado por uma motocicleta. O acidente o deixou tetraplégico, sendo capaz de movimentar apenas os dedos das mãos. Caberá a Lou a missão de trazer alguma alegria e tentar mudar a forma de Will ver a vida.

Trinta-e-Poucos-Como-eu-era-antes-de-você-o-livro-e-o-filme

Então, é um romance / drama e eu achei que sabia o que esperar desse livro. Me enganei redondamente. Jojo Moyes tem uma escrita envolvente demais. Usei todo o meu tempo livre pro livro, que foi literalmente devorado. A história é um escândalo de linda, nada rasa, nada boba.

Primeiro, o livro faz a gente pensar que o quanto a nossa vida é frágil e preciosa. Tudo muda num piscar de olhos e, no final das contas, as pessoas queridas e a nossa saúde são tudo o que temos a perder. Segundo, os caminhos tortos da vida. O trabalho de cuidadora não tinha muito a ver com Louisa. Quantas vezes a gente não entendeu o porquê da gente estar fazendo determinado trabalho? O que a gente não tem é o distanciamento necessário pra perceber que essas situações nos trazem grandes ensinamentos, Lou saiu totalmente diferente dessa experiência.

Outra coisa que eu achei muito tocante foi a forma que Will olhava pra ela. Se eu tivesse um conselho pra dar em relação aos relacionamentos, seria: fique com alguém que te enxergue. Will enxergou Louisa, seu potencial, seus medos, seus sonhos. E a encorajou a segui-los. 

Bom, declarado o meu amor pelo livro, é de se esperar que eu tenha ido com muitas expectativas assistir ao filme. Achei a escolha dos atores principais interessante num primeiro momento. Emilia Clarke (a Daenerys Targaryen de Game of Thrones) parecia ter a doçura necessária para interpretar Louisa Clark (olha a coincidência do sobrenome!). Sam Claflin (de Jogos Vorazes) tem o charme inglês necessário para interpretar Will, o cara bem sucedido que vê a sua vida desmoronar.

Só que, na minha modesta opinião, não funcionou. Sério, achei o filme ruim de doer. Entrei na sala imaginando que sairia aos prantos e saí com raiva. Começando pelos atores principais, que não têm a menor química. Alguns dramas que justificam a forma de viver de Louisa e Will simplesmente foram omitidos, como o estupro sofrido por ela no labirinto do castelo, que fez com que optasse por uma vida segura e previsível em sua cidade natal. A contagem regressiva para o dia em que Will vai para a clínica para sua morte assistida não tem a densidade que deveria. Tive a sensação de que Louisa estava numa gincana, quando na verdade estava correndo contra o tempo pra convencê-lo a continuar vivo. A mãe de Will, Camila Traynor, é descrita como uma juíza rígida, devastada pela situação e pela decisão do filho. Não é isso que o filme mostra.

Tudo me pareceu muito jogado, sem um fio condutor que traduzisse para as telas as muitas emoções que o livro provoca. Saí muito decepcionada. Sempre controlo as minhas expectativas quando o filme que eu vou assistir é baseado num livro que eu amei. Imagino a dificuldade de transformar as 320 páginas do livro em um filme de quase duas horas. Li que foi a própria, Jojo Moyes que escreveu o roteiro. Jojo, desculpa, mas você mandou mal demais... Desconfio, do alto da minha ignorância técnica, que a diretora Thea Sharrock também errou a mão.  Bom, não falei sobre o final pra não dar spoiler pra quem não leu o livro.

E aí, você leu o livro? Assistiu ao filme? Me conta o que achou nos comentários, vai!

Comentários: 2

  • Sandra comentou em

    Descreveu item por item do que fez falta no relato do filme. Exatamente tudo isso, meio frio, meio distante, entretanto o contexto da história linda....tudo o que vale nessa vida é com certeza, saúde e pessoas queridas....
    Parabéns Ka, pela forma linda e objetiva ao narrar fatos, histórias, enfim tudo!

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