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20
jun
2016

Faltam dez dias para o fim dos meus seis meses sem compras. Já na reta final desse detox de consumo pelo qual eu passei, decidi fazer alguns posts aqui no blog sobre o projeto. Resolvi dividir em subtemas: motivação, resistindo às tentações, como aproveitar melhor o que você tem e construindo um armário coerente com a sua vida.

Nesse primeiro post da série eu vou falar sobre a motivação pra encarar um detox de compras. Conversei com muita gente ao longo do último semestre e escutei muitos “eu não consigo ficar sem comprar” ou “eu parei porque estava sem dinheiro”. Resolvi trabalhar em cima dessas duas falas, que eu também repeti pra mim mesmo ao longo de muitos anos.

Sim, nós conseguimos ficar sem comprar. Você não precisa evoluir espiritualmente, nem virar hippie. Você para de comprar quando existe uma motivação na sua vida que seja maior do que o impulso de ter coisas novas. Todo mundo tem diversos pontos de insatisfação na vida. A menos que eles sejam referentes à relacionamentos, o dinheiro vai te ajudar em todo o resto, inclusive na saúde.

Trinta-e-Poucos-Seis-meses-sem-compras

Vou propor que você faça um exercício que eu fiz no final do ano passado. O que você mudaria na sua vida? O que te incomoda? Qual é a nuvem que te segue? Pra te ajudar a responder isso, vou te contar as minhas respostas. Os meus dentes, o meu corpo, a minha carreira e viajar menos do que eu gostaria. Não importa quantas roupas novas eu compre, essas quatro sombras me acompanham.

Passei muito tempo repetindo pra mim mesma que um tratamento ortodôntico era caro. Que o preço da Bodytech é absurdo. Que viajar uma vez ao ano para o exterior me deixa plenamente satisfeita. E que eu precisava parar de me estressar com o fato de eu ter mais de trinta e ainda não estar realizada profissionalmente. Em todos esses casos, se eu redirecionasse o meu investimento, eu poderia ao menos melhorar todos esses pontos de insatisfação.

Coloquei o aparelho e estou na reta final do tratamento. Estou matriculada e ativa na Bodytech há quase dois anos. Vou viajar várias vezes no segundo semestre desse ano. Já fiz três cursos e já li nove livros esse ano. Substituí a necessidade de peças novas por necessidades que estão alinhadas com o meu propósito de vida. Eu não queria mais ter roupas lindas e detestar o meu sorriso nas fotos, nem comprar mais roupas pra um corpo sedentário que me incomodava, nem ter coisas lindas e não viajar pra lugar nenhum, nem ter roupas lindas enquanto eu não conseguisse ganhar dinheiro com alguma coisa que eu amasse muito.

Qualquer coisa que você queira resolver na sua vida vai dar trabalho. Você decide melhorar e entra num processo, leva tempo. Mas o progresso vai te trazer uma felicidade muito maior do que essa pilha de peças que causam uma empolgação momentânea. É mais fácil dar uma passada no shopping e comprar a felicidade na Zara. Só que ela acaba rápido e deixa tudo o que você gostaria de mudar aonde estava, dentro de você.

Outro ponto interessante é que você não precisa estar sem dinheiro pra parar de comprar. Não faça do consumo um mecanismo de compensação e punição.

- Ah, estou com dinheiro “sobrando”, que mal tem?

- Estou dura há dois meses. Não aguento ir ao shopping, não posso comprar nada.

Consumo é opção. A gente precisa entender o real significado da palavra necessidade, pra poder entender que o que a gente sente é desejo. A gente passa a vida repetindo que precisa de coisas, reforçando essa mensagem pro nosso subconsciente. Não, a gente não precisa de nada. Sério. Especialmente em tempos de inverno inesperadamente rigoroso, fica claro o que é precisar de roupa.

Tire o consumo do automático. Mostra pra ele que quem manda é você. Planeje as suas compras, de forma que você consiga montar um armário adequado pra sua rotina. Achou difícil? Comece devagar. Experimentou uma peça que você achou incrível? Deixa pra comprar no dia seguinte. Esse foi um dos primeiros exercícios que eu fiz e é chocante como você vai simplesmente esquecer da maioria das peças.

Diminua o passo. Ah, mas se eu não comprar, vai acabar. Sério, tá tudo bem. Ainda que você compre essa peça imperdível, logo você já estará desejando outra. A lição mais preciosa desses seis meses sem comprar é que a gente tem que investir no principal, que é estar bem na própria pele. Se isso não tá funcionando, vai por mim, não tem peça baphônica que vá solucionar o problema.

Eu adoraria saber mais de vocês. Tem algum projeto da sua vida que você adia por causa de grana? Já fez um detox de compras?

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