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16
jun
2016

Sabe quando você, num passeio qualquer pelo shopping, compra um livro que passa ANOS mofando na sua estante? Então, ainda nessa vibe de renovação e desapego que eu ando aqui em casa, eu coloquei esses livros da sessão mofo com certa prioridade na fila e a resenha dessa semana fala de um deles. Pra você ter uma ideia, comprei o livro A Ditadura da Beleza e a Revolução das Mulheres em 2005. Demorei apenas onze anos pra lê-lo. (#shameonme).

Augusto Cury, o autor, é psiquiatra, pesquisador de psicologia, escritor, professor de pós-graduação e conferencista. Em A Ditadura da Beleza e a Revolução das Mulheres (Sextante; 2005; 207 páginas) ele fala sobre o papel da mídia na insatisfação unânime das mulheres com a sua aparência. Além de mostrar números assustadores de mulheres afetadas por essa ditadura na época, Augusto aponta que o sistema (indústria da moda, beleza e veículos de comunicação) tem como objetivo produzir mulheres insatisfeitas consigo mesmas. Toda essa insatisfação vira um consumo voraz de procedimentos estéticos, cirurgias plásticas, produtos de beleza e roupas.

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A mensagem central é maravilhosa. Recomendaria o livro só por ela. Qual mulher pode dizer que não se sente pressionada a estar dentro dos padrões de beleza? Quem nunca ouviu falar de uma amiga ou quem nunca cogitou procedimentos invasivos para resolver insatisfações com a aparência? Qual mulher acha que não precisa emagrecer nada, que está ótima?

Vivemos bombardeadas pelo corpo do momento, o tratamento estético do momento, a dieta do momento. E nada disso seria um problema, se a adesão não fosse motivada por uma profunda insatisfação e por padrões inalcançáveis. Se a gente estivesse feliz com a nossa aparência e recorresse a uma coisa ou outra para melhorar, ok. Mas a gente corre na esteira pra tentar ser outra pessoa, pra ficar parecida com uma Kendall ou uma Kim, que apesar de cheia de curvas também não representa todas as mulheres do mundo.

No fundo, eu esperava que fosse um livro escrito por um psiquiatra, baseado em pesquisas e estudos. Só que A Ditadura da Beleza e a Revolução das Mulheres é um romance que conta a história de Sarah, uma modelo famosa, de 16 anos, filha de Elizabeth, editora de uma das mais renomadas revistas femininas dos Estados Unidos. Apesar da fama, do dinheiro e de ter uma beleza cultuada e “dentro dos padrões”, ela é depressiva e obcecada pela sua aparência física. Ao buscar ajuda para a filha, Elizabeth encontra o psiquiatra Marco Polo, que não só ajuda na recuperação de Sarah, como passa a integrar um movimento para combater o sistema, que buscar minar a autoestima das mulheres para lucrar em cima de suas inseguranças.

O livro tem um porém, é chato. A linguagem é cafona em vários trechos. Dramático demais, com ares de trama mexicana. No entanto, como tudo o que faz pensar é bacana e o tema está presente na vida da maioria das mulheres, todas deveriam ler A Ditadura da Beleza e a Revolução das Mulheres. A história é fraca, mas a mensagem é muito poderosa.

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