≡  
13
jun
2016

Uma característica terrível da humanidade é a necessidade de criar assunto. Se você é criança, a pergunta favorita é se já decidiu o que vai ser quando crescer. Se é adolescente, se já tem namorado. Jovem adulto, namorando, quando é o casamento. Casou? Cadê o primeiro filho? Quando tiver o primeiro, já na maternidade vão querer saber do segundo. As pessoas são não perguntam quando você vai morrer porque ainda resta algum desconfiômetro no ser humano. Essas perguntas serão transferidas pros pequenos e o ciclo da vida continuará.

A gente vive tentando a seguir o script “natural” da vida. Uma existência com roteiro seria mais fácil pra nós e pras pessoas que nos cercam. Só que as coisas não funcionam dessa forma.  Trabalhar em cima de um modelo que algum criou há tempos pode ser frustrante. Todas as perguntas acima tratam de temas muito importantes na vida, pra serem reguladas por um cronômetro comum. Cada pessoa tem o seu tempo nesse mundo. Nada mais natural do que seguir essa lógica pra todo o resto.

Trinta-e-Poucos-O-tal-do-relógio-biológico-3

Quando a gente se deixa levar pela pressão geral, a gente para de escutar aquela voz dentro da gente que nos guia pra um caminho nosso. A vida é customizável, tá tudo bem se as coisas não acontecerem no tempo que os nossos queridos esperam. As coisas que a gente espera também não seguem as nossas expectativas. Ontem eu assisti a um documentário chamado “O começo da vida”, que mostra a importância do investimento nos primeiros anos da criança. Tanto do governo, dando assistência à população mais carente (macro) quando dos pais investindo mais tempo e atenção nos seus filhos. Há umas duas semanas assistimos ao maravilhoso “O Renascimento do Parto”, que fala dos esforços para mudar a cultura da cesárea no Brasil, que tem uma taxa altíssima do procedimento.

Aonde eu quero chegar com tudo isso, que parece não fazer muito sentido? Primeiro, se você tem mais de trinta como eu, me dê a sua mão. Respira, amiga, temos tempo. Responda a cada uma das perguntas com um sorriso e uma piadinha (nos dias mais dispostos). E siga a sua programação. Seria muito bacana se o seu filho e os filhos dos seus amigos pudessem crescer juntos. Mas tudo bem se não for assim. Temos nosso próprio tempo, como diria Renato Russo. Faça uma lista de sonhos pré-filho e vai com tudo. Realize muitas coisas, pra quando esse novo amor chegar, ele poder contar com a sua entrega.

Trinta-e-Poucos-O-tal-do-relógio-biológico-2

Outra coisa que também passou pela minha cabeça  foi o tempo que a gente leva planejando uma gravidez. Quando eu digo planejando, falo de assistir a documentários, ler livros, se dedicar ao tema cultural e financeiramente. Tenho uma impressão de que na maioria dos casos a energia dedicada é bem menor do que a da fase pré-casamento. Não quero desmerecer o casamento, que é a celebração de um marco na vida, de um encontro. Mas ter um filho é gerar um ser humano, impactar uma sociedade. Deveria consumir mais tempo e dinheiro na preparação.

Enfim, são só umas coisas que eu tenho pensado por aqui. Sinto que esse relógio biológico toca depois dos trinta porque é geralmente nessa fase que a gente descobre o prazer de ficar em casa, de viver uma vida mais calma. É nessa hora que cabe um cachorro, um filho, um livro, porque a gente provavelmente já desenvolveu paciência, capacidade de amar alguém além do nosso umbigo. Ou não. E se você se enquadra no não, vai por mim, tá tudo bem.

Trinta-e-Poucos-O-tal-do-relógio-biológico

Comentários

Nenhum comentário foi publicado para este post. Seja o primeiro a comentar...

Instagram