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14
abr
2016

Depois do Manual de Limpeza de um Monge Budista, livro que eu resenhei na semana passada, o livro dessa semana é de memórias. Em Nu, de botas (Companhia das Letras; 140p.; 2013), Antonio Prata divide passagens de sua infância, com um olhar infantil, bem-humorado e com uma riqueza de detalhes que impressiona.

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Todo livro tem o seu poder de teletransporte. Nu, de botas me colocou em um túnel do tempo, direto pros anos 80. Me fez reviver as tardes correndo ou andando de bicicleta nas ruas da vila em que eu cresci, no subúrbio do Rio de Janeiro. Trouxe lembranças de Natais, amigos, escola, do meu olhar de criança pras primeiras dificuldades da vida. Deu saudade dos programas infantis de auditório, de brincar na rua, de telefone com fio e aquele teclado que você precisava girar, dos álbuns de figurinhas, do Topa Tudo por Dinheiro. Deu saudade de olhar mais pra vida com curiosidade, da inocência, das sonecas à tarde, do cheiro de bolo vindo da cozinha.

Nessa obra, Antonio Prata consegue rever as cenas mais marcantes de sua infância pela ótica da criança que ele foi. A impressão que eu tenho é que ele voltou no tempo e foi repassando as histórias em câmera lenta. Ele divide tudo em capítulos curtos, que não tem uma relação direta entre eles. Dá pra ir lendo aos poucos, na fila do banco, no ônibus, na sala de espera do médico.

Nu, de botas é um livro delicioso, que deve ser degustado sem pressa, já que ele infelizmente é fino. Recomendo pra quem esteja em busca de uma leitura leve, pra quem precisa relaxar e reencontrar aquela criança cheia de esperança que um dia foi. Recomendo especialmente pra quem viveu a década de 80, já que a infância no autor foi vivida nela. 

Minha contraindicação é pra pessoas que sofrem de saudade crônica, pros amigos saudosistas. Aquele tempo bom, que não volta mais, poderá ser visitado através desse livro. Esse tipo de pessoa certamente terá dificuldades pra voltar pra realidade ao final da leitura. 

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