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28
mar
2016

Mais um livro terminado e eu sigo firme na minha meta de ler mais em 2016. O livro da vez foi A Arte da Procrastinação (Paralela; 2014; 124p), escrito por John Perry, professor emérito de filosofia na Universidade de Stanford.

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Procrastinador assumido, John escreveu esse livro no intuito de ajudar as pessoas que sofrem desse "mal" a usá-lo a seu favor. Ele começa se auto-intitulando procrastinador estruturado, termo que ele criou para definir pessoas que fazem inúmeras coisas enquanto evitam aquelas que realmente têm que ser feitas.

Pausa pra eu contar que nesse momento passou um filme na minha cabeça, dos inúmeros edifícios que eu construí enquanto evitava trabalhar nas tarefas mais importantes. O procrastinador não é um preguiçoso, eu sou a prova viva disso. Sempre entrego tudo no prazo, chego no horário, cumpro tudo aquilo que combino com meus amigos. O grande problema são os bastidores da vida de uma pessoa que faz de tudo pra adiar aquilo que tem que ser feito. Uma vida de angústia absolutamente desnecessária. 

Voltando pro A Arte de Procrastinar, adorei o capítulo que fala sobre perfeccionismo. Já virou piada usar essa característica como defeito em entrevistas de emprego. Só que o fato é que o perfeccionismo não é uma qualidade. Já é o segundo livro seguido que toca nessa ferida. Em Grande Magia, resenha anterior aqui do blog, Elizabeth Gilbert coloca o perfeccionismo como um grande empecilho para a vida criativa. Em A Arte da Procrastinação, John Perry coloca o perfeccionismo como um dos fatores que causam a procrastinação. Ele é uma utopia que nos leva a acreditar que não somos capazes de realizar alguma coisa. Só que a realidade é que feito é melhor que perfeito. Um trabalho que atenda ao que foi solicitado é melhor do que a perfeição inacabada.

Outro capítulo que eu adorei foi o que fala de listas de tarefas. Ao longo do último ano venho buscando formas de ser mais produtiva e a que mais me ajudou até agora foi o hábito de planejar cada dia. Acho esse hábito ainda mais importante para pessoas que não têm uma rotina estruturada, como eu. Planejar o dia ajuda a não negligenciar nenhuma área da vida. Eu, por exemplo, divido as minhas listas em “casa”, “cuidados pessoais”, “projetos” e “blog”. Quando vejo que estou me debatendo pra concluir ou até mesmo para começar uma tarefa, dedico um espaço do meu planejamento diário só pra ela, além de fazer um passo a passo da mesma. Saber quais são as etapas que eu devo seguir para concluir uma tarefa me ajuda a visualizar a linha de chegada e corta a minha tendência à procrastinação.

O capítulo que fala do computador como grande obstáculo do procrastinador também é muito interessante. Acredito que ele seja essencial até para pessoas que não costumam adiar as coisas. Ao mesmo tempo em que facilitou absurdamente a vida, o computador virou o grande vilão da produtividade. É muito fácil se perder em páginas aleatórias ou passar horas processando e-mails.

Mais uma pausa, dessa vez pra dividir as angústias de ter um blog. Decidido o tema do post, é hora da pesquisa. Ou eu delimito o tempo que eu tenho disponível pra essa tarefa e me adapto a ele, ou eu sou capaz de passar uma semana inteira esgotando o tema. Fora o drama do processamento de e-mails. Pensa comigo, um simples e-mail marketing pode virar assunto por aqui. Com isso, eu abro todos os meus e-mails, tento ler todos. Mais uma vez a lista me salva. Processar e-mails é um dos itens presentes em toda lista. Deixo esse item pro final do dia e dedico um tempo limitado a isso.

John Perry encerra o livro sugerindo ferramentas pra quem está decidido a eliminar a procrastinação da vida. Achei que o livro traz algumas boas ideias de auto manipulação para driblar a tendência a deixar tarefas importantes para depois. Só que eu já havia adotado muitas delas intuitivamente. A Arte da Procrastinação é uma leitura rápida, leve, mas não é um livro pra guardar. Se você sofre com a procrastinação, compre, é sempre bom refletir sobre o tema pra tentar achar soluções que funcionem pra você. Não é um livro que eu recomendaria pro público em geral.

Ah, procrastinando para terminar esse post eu dei de cara com um link pra essa TED Talk sobre procrastinação. Tim Urban tem um blog chamado Wait but Why, onde ele relata as estratégias que usa pra tentar driblar a sua tendência a procrastinar tudo. E a sua TED Talk dá a melhor definição que eu já vi pro funcionamento da cabeça de um procrastinador. Vale o seu tempo. Ah, ela é em inglês com legendas nesse mesmo idioma.

Só pra fechar o post, são 18:15h. Eu deveria sair de casa, rumo à academia, às 18:30h. Sendo assim, eu deveria ter me programado pra terminar tudo às 18h. Só que ainda tenho que revisar o texto e divulgá-lo em todas as redes sociais do blog. Resultado, só a ida pra academia já vai ser o exercício, já que farei boa parte do caminho correndo desesperada pra não perder a aula. A minha consciência fala que eu deveria ter terminado esse texto ontem, mas não resisti à oportunidade imperdível de ver mais um episódio de Grey's Anatomy pela segunda vez. Sente o drama...

E você, se identificou com o post? Também vive adiando e deixa pra sofrer no último minuto de tudo na vida? Abra o seu coração e me conte tudo nos comentários...

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