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20
mar
2016

Comer, Rezar e Amar está no meu Top 5 de filmes favoritos da vida. A história é autobiográfica e anteriormente já havia dado origem ao livro homônimo no qual o filme foi baseado. O fato de ser a história de uma pessoa que tem a coragem de viver da forma que acredita, que paga o preço e assume as dores de suas escolhas me pareceu muito familiar. Porque a nossa vida também é construída pelos olhos dos nossos entes queridos, as pessoas mas próximas inconscientemente tem um roteiro pra nossa vida. Quando a gente muda de rumo, essas pessoas sofrem com a mudança no roteiro. Elizabeth Gilbert me conquistou ao largar a segurança de uma vida previsível, que não a fazia feliz, e recomeçar do zero.

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Essa introdução apaixonada foi pra contar que o seu novo livro foi o primeiro que eu terminei de ler, dos cinco que eu me dei de aniversário. Geralmente as resenhas de livros vinham no meu post semanal cultural, mas achei que essa obra merecia mais destaque. Em Grande Magia (Objetiva; 2015; 192p), Liz fala sobre vida criativa sem medo. Numa mistura de relatos próprios e de outras pessoas, ela discute medos e outros fatores que nos impedem de viver criativamente. E a autora defende que qualquer pessoa pode inserir a criatividade em sua vida. E que essa atividade não precisa necessariamente ser a que te sustenta.

Os seis capítulos do livro têm como títulos os pré-requisitos da vida criativa: Coragem, Encantamento, Permissão, Persistência, Confiança e Divindade. Falando sob a ótica de escritora, Liz explica que a Grande Magia nada mais é que um convite da inspiração, que para ela tem vida própria e autonomia para escolher os realizadores, para  a criação. A autora coloca o processo criativo como uma jornada cujo resultado / sucesso não nos pertence. Por isso, recomenda que ao escolher uma atividade para seguir você esteja ciente e goste do "sanduíche de merda" que ela traz (tudo tem um lado ruim) e não cobre dessa atividade o seu sustento. Aí, ela fala dos anos em que trabalhou como garçonete antes de ter o seu primeiro livro publicado e o quanto esses empregos foram úteis pra que ela pudesse criar em paz. 

Um dos meus trechos favoritos:

"... Qual é o seu sabor favorito de sanduíche de merda?

     O que Manson quer dizer é que toda a atividade - por mais maravilhosa, empolgante e glamorosa que possa parecer a princípio - vem com a própria variedade de sanduíche de merda, seus próprios efeitos colaterais indesejados. Como escreve Manson com profunda sabedoria: " Tudo tem os seus altos e baixos". Você só precisa decidir com quais baixos está disposto a lidar. Então a questão não é tanto "O que você ama fazer?", mas sim "O que você ama fazer o suficiente para conseguir suportar os aspectos mais desagradáveis do trabalho?".

Em muitos momentos Grande Magia veste a carapuça da autoajuda. Preciso confessar que eu sou fã desse gênero e que isso não é um demérito desse livro, que é leve a atua como encorajador para que você encontre uma maneira de trazer a criatividade / magia para a sua rotina. Concluí a leitura em três dias e destaquei todas mensagens mais interessantes para consultar no futuro. Esse é um livro para guardar a revisitar muitas vezes.

Pra quem quiser saber mais sobre o assunto, Marie Forleo entrevistou Elizabeth Gilbert para o seu canal do YouTube, o Marie TV:

Nessa entrevista ela revela que a sua grande motivação para escrever o livro Grande Magia foi o tanto de pessoas que foram até ela falar sobre seus projetos não realizados e tudo aquilo que gostariam de fazer, mas não estão fazendo. A grande razão de todos esses grandes planos não realizados, segundo ela, é o medo. Liz, no entanto, deixa claro que não enxerga o medo como uma coisa ruim, ele é essencial para que nos mantenhamos vivos. A chave é conviver com ele, seguir apesar dele. Levá-lo junto para não perder a cautela, porém não deixar que ele seja o comandante. Muito além das pessoas que trabalham com profissões ligada à criatividade, a entrevista assim como o livro são encorajadores para que se viva mais plenitute e para que tenhamos aquilo que nos motiva sempre presente em nossas vidas. Ela toca em outros dois pontos que eu considero essenciais que sejam lembrados:

1 - Você não deve deixar de fazer aquilo que você quer só porque alguém já fez. Ninguém deixa de cursar medicina pensando que já existem muitos médicos no mundo. E ainda que essa coisa já tenha sido feita, ela ainda não foi feita por você. Cada ser humano traz consigo bagagens, cicatrizes únicas, o que já é garantia de um resultado singular;

2 - O perfeccionismo é um dos principais inimigos da criação, já que muitas vezes impede as pessoas de começarem seus trabalhos. Um trabalho imperfeito concluído é infinitamente superior a uma obra-prima inacabada. Comece aonde quer que você esteja, do que tem de ferramentas, agora. 

Além de tudo de incrível que já lançou, Elizabeth Gilbert ainda é uma oradora adorável. As partes em que ela conta como se prepara para um discurso / palestra e a vez em que falou para vinte e cinco mil pessoas a convite de Oprah Winfrey são muito legais. Eu soube do lançamento do livro através dessa entrevista e assisti novamente após a leitura. Recomendo muito!!

Alguém já leu? Adoraria saber o que acharam. 

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