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15
jan
2016

Conheci o fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado na época no Ensino Médio. Eu tinha cerca de 16 anos e o trabalho consistia em fazer um texto a partir de uma imagem feita por ele. Essa imagem, retirada do seu primeiro grande projeto fotográfico, Outras Américas, me tocou profundamente. Ele me transportava pra realidades que eu não conseguia sequer imaginar e me trazia sentimentos que eu não conhecia.

Voltamos a nos encontrar na época da faculdade, nas aulas de fotojornalismo. E a minha admiração só aumentou. Esse post mostra três forma de conhecê-lo melhor:

Eu poderia te recomendar esse documentário por tantos motivos... O Sal da Terra conta a história do Sebastião Salgado desde a sua infância, vivida um Aimorés (MG), a ida para Vitória para cursar a graduação em economia, passando pelo casamento com Lelia, a ida dos dois para estudar em Paris e o abandono da carreira de economista para abraçar a de fotógrafo. O Sal da Terra é a visão de uma pessoa de fora do círculo de Salgado, o diretor Wim Wenders, mas também é a visão do diretor e filho do fotógrafo, Juliano Ribeiro Salgado. Falado em inglês, francês e português, grande parte dessa obra se dedica a acompanhar e a fornecer ao espectador uma ideia de como cada projeto seu é concebido e desenvolvido. Após ganhar o mundo e ter passado por mais de 100 países pra produzir os seus trabalhos, a cereja do bolo é ver que todo esse caminho levou Sebastião de volta à sua terra natal, com o maravilhoso projeto de reflorestamento tocado pelo seu Instituto Terra. Ainda que todos esses argumentos não tenham te convencido a assistí-lo, faça mesmo assim. A fotografia é de uma beleza sem igual e a oportunidade de conhecer realidades tão distantes é enriquecedora.

Li a biografia de Sebastião Salgado há uns dois anos e essa é uma leitura surpreendente, agradável e inspiradora. Mais focada em detalhes da vida pessoal, valores que movem o seu trabalho e com uma visão mais ampla de sua carreira do que a fornecida pelo documentário, o livro mostra um Sebastião que foi arrebatado pela fotografia. Fala ainda da distância do seu filho mais velho, Juliano, e de como a sua forma de ver a vida mudou com o nascimento de Rodrigo, seu filho caçula, portador de Síndrome de Down.

Não é possível compreender Sebastião sem compreender Lelia, sua companheira da vida toda. Sua parceria, sua resiliência, seu talento, sua paciência e força permitiram que o fotógrafo tivesse toda a estrutura profissional e emocional nas longas jornadas para o desenvolvimento de seus projetos. Ela, além de editar os livros e organizar as exposições do marido, segurou a barra de criar dois filhos, um deles portador de Síndrome de Down, muitas vezes sozinha. Presidente do Instituto Terra, que tem a missão de contribuir para o processo de recuperação ambiental e desenvolvimento sustentável da Mata Atlântica, em especial na região da Bacia do Rio Doce, ela atualmente planta sonhos ao lado do marido, literalmente. 

As três fontes são muito interessantes, valem o seu tempo.

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