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22
jul
2015

Na quinta-feira passada eu assisti a uma aula da The School of Life, cujo tema era Vamos falar de dinheiro. Essa aula, ministrada pelo professor Mauro Guerreiro, é baseada em um dos livros da escola, intitulado Como se preocupar menos com dinheiro (Editora Objetiva, 162 páginas, 2012), de autoria de John Armstrong. O meu interesse pela aula surgiu desse livro, que li em novembro do ano passado. Como eu estava prestes a fazer uma grande mudança na vida, optei por me preparar psicologicamente para enfrentá-la. Desde fazer uma investigação minuciosa do destino do meu dinheiro, das minhas reais necessidades e de como essa mudança poderia me afetar financeiramente e mentalmente.

Eu conheci a The School of Life no começo de 2013, quando ganhei o livroComo encontrar o trabalho da sua vida (Editora Objetiva, 2012, 167 páginas), de autoria de Roman Krznaric. A proposta dos livros e das aulas é provocar reflexões sobre questões que nem a escola, nem a universidade e nem a grande maioria dos pais ensina. Acaba sendo uma forma de autoajuda, mas com uma abordagem nova, que não aponta caminhos, nem sugere uma receita única para todos. A intenção é fornecer ferramentas para que cada pessoa encontre a sua forma de viver mais plenamente e encarar questões como morte, realização profissional, vida financeira, envelhecimento, solidão, sexo, conflitos da era digital, saúde emocional, auto compaixão, entre outras.

Sugerir planilhas e formas de controle financeiro, muita gente já fez. Corte o cafezinho por dez anos e você conseguirá juntar xx reais. Economize 10% do seu salário todos os meses. Muitas dicas interessantes e que merecem ser analisadas e, até, aplicadas, dependendo dos objetivos e da realidade de cada pessoa. Só que o que ninguém, ou quase ninguém fala, é sobre o que está por trás da sua relação com dinheiro, a parte psicológica disso. Tanto o livro quanto a aula começam com uma explicação bastante interessante, a diferença entre problema de dinheiro e preocupação. Problemas relacionados ao dinheiro são coisas concretas. Não tenho dinheiro para pagar as minhas contas, a minha dívida no banco não para de crescer, etc. Para questões concretas, as soluções também são concretas e giram entre arrumar uma maneira de ganhar mais dinheiro ou de gastar menos dinheiro. Já as preocupações são abstratas e nem sempre estão relacionadas com o saldo da sua conta. Elas estão diretamente ligadas às nossas emoções.

A nossa forma de lidar com dinheiro traz toda uma bagagem familiar, boa e/ou ruim. O livro e a aula propõem exercícios que vão te ajudar a identificar como você se comporta em relação ao dinheiro, o que ele significa na sua vida e a diferenciar não só desejo de necessidade, como níveis de necessidade. Muitas vezes a gente não sabe quais são as nossas necessidades básicas para viver, o que nos impede de tomar uma série de decisões. Outra coisa interessante que todos esses livros que eu li me mostraram, é o significado real de riqueza e abundância, que não obrigatoriamente tem a ver com grande disponibilidade financeira. O segredo é precisar de menos coisas, que também vai esbarrar na gratidão tão falada por aí.

Ter consciência do significado do dinheiro vai te ajudar a utilizá-lo de maneira mais sábia e a priorizar as coisas que vão ajudar na sua realização pessoal. Por exemplo, nós não temos carro. Moramos e trabalhamos na Zona Sul do Rio de Janeiro, que tem uma grande oferta de transporte público e pouca oferta de estacionamento que, quando existe, cobra um rim por poucas horas. Outro fator muito importante é a Lei Seca. Eu não dirijo, logo, o meu marido seria sempre o motorista da rodada, deixando a cervejinha do final de semana de lado. Chegamos à conclusão de que nós não precisamos de um e até que a gente pense em ter um filho, não pretendemos cogitar a compra. Quando sentimos falta de um carro, alugamos um, o que acontece muito raramente e não justifica a compra. Isso foi só um exemplo de como as necessidades mudam de pessoa pra pessoa e como refletir sobre e tentar pensar fora da caixa podem te ajudar a realizar seus objetivos com mais facilidade. O meu, no caso, foi o período sabático.

A preocupação com a nossa imagem também foi abordada. Quanto o status influencia as suas decisões financeiras? Quantas das suas escolhas são feitas com base na opinião de pessoas próximas? Numa era onde muitas pessoas expõem as suas vidas nas redes sociais, somos frequentemente bombardeados por fotos de viagens, produtos... E a tendência natural é que as pessoas só exponham aquilo que têm de melhor. Só que os momentos compartilhados são apenas o fragmento de uma vida que certamente tem os seus obstáculos e maus momentos. Entender que as suas necessidades não são iguais às de outra pessoa é muito importante para uma vida financeira tranquila.

Outra questão abordada foi a bagagem financeira familiar que carregamos. Como a relação, os erros/ acertos e, principalmente a forma como a nossa família se relaciona com dinheiro influenciou a nossa vida financeira? Seus pais te davam mesada? Eles conversavam sobre dinheiro com você? Qual era o peso do dinheiro em relação a felicidade e harmonia familiar? A sua família passou por dificuldades financeiras? Como ela lidava com essa questão? A preocupação com dinheiro é uma lembrança marcante? Lembrando que essa última pergunta não está relacionada a quanto dinheiro a sua família tinha.

Achei o livro muito bom. Adorei a aula e achei que pude aproveitá-la melhor por ter lido o livro. Os temas que eram discutidos já eram conhecidos, então, pude me aprofundar nas reflexões. O melhor de tudo, sem dúvida, é a troca de experiências. Todos os alunos são convidados a participar da aula e ouvir os relatos e pontos de vista de outras pessoas é interessante demais. Falar sobre dinheiro é importante e pode te levar a caminhos muito diferentes dos que você tem percorrido.

Ah, as aulas da The School of Life são realizadas no Rio de Janeiro e em São Paulo. Aqui no Rio, a aula foi realizada na Casa Ipanema, que é um espaço incrível da marca, no bairro homônimo. Achei os R$ 170,00 cobrados bem justos pro que é oferecido. No final de cada aula os alunos recebem um email com sugestões de leitura e filmes, para aprofundamento no tema da aula. Os livros da série The School of Life podem ser encontrados em qualquer livraria e custam por volta de R$ 25,00 cada. O calendário de aulas pode ser consultado no site deles:

http://www.theschooloflife.com/sa

Pra fechar esse post, selecionei filmes, músicas e livros que podem te ajudar a refletir sobre o tema:

Amor por contrato (The Joneses, 2009)

Reflexão profunda vestida de comédia romântica. Os Jones parecem uma família perfeita, mas são funcionários, parte de uma estratégia de marketing da empresa LifeImage. A chegada deles causa um grande impacto na comunidade  e todos passam as desejar os produtos que eles usam. Numa época onde as celebridades foram alçadas a formadoras de opinião nos quesitos moda e estilo de vida, esse filme cai como uma luva para que possamos avaliar até onde podemos e devemos seguir 'modelos'.

Delírios de consumo de Becky Bloom (Confessions of a Shopaholic, 2009)

Inspirado no livro de Sophie Kinsella, o filme conta a história de Rebecca Bloomwood, jornalista viciada em compras. O filme não chega aos pés do livro, mas diverte e faz pensar.

Trocando as Bolas (Trading Places, 1983)

Vídeo tosco só pra recomendar esse clássico dos anos 80. Estrelado por Eddie Murphy, o filme conta a história de um executivo de sucesso e um negro marginalizado, que vive de pequenos golpes. Eles trocam de 'vida' quando dois corretores riquíssimos apostam sobre qual fator principal que determina o sucesso de uma pessoa, genética ou meio social.

1 - Affluenza (Civilização Editora) - Atualmente, há uma epidemia de affluenza em todo o mundo – uma obsessiva e invejosa vontade de ter o que os outros têm – que causou incríveis aumentos de depressão e ansiedade a milhões de pessoas. Ao longo de nove meses, Oliver James viajou pelo mundo para tentar perceber porquê. Descobriu como, apesar das diferentes culturas e níveis de vida, a affluenza se está a propagar.

2 - Desejo de Status (Editora Rocco) - do filósofo suíço Alain de Botton, criador da The School of Life, apresenta reflexões sobre a obsessão da sociedade contemporânea por prestígio, fama e renome.

3 - O economista clandestino (Editora Record) - Tim Harford mostra como os princípios econômicos estão por trás das mais corriqueiras atividades e explica sua influência em situações que vão desde os congestionamentos nas grandes cidades até o alto preço do café, por exemplo.

1 - Amor pra Recomeçar, Frejat

Música linda, inspirada no poema Desejo, de Victor Hugo. " Eu desejo/que você ganhe dinheiro/Pois é preciso/Viver também/E que você diga a ele/Pelo menos uma vez/Quem é mesmo/O dono de quem"

2 - Pecado Capital, Paulinho da Viola

Quem nunca cantou o verso "Dinheiro na mão é vendaval"? A letra inteira é maravilhosa, especialmente o trecho "Quanta gente aí se engana e cai da cama com toda a ilusão que sonhou e a grandeza se desfaz [...].

3 - Money, Pink Floyd

"Money, it's a crime (Dinheiro, é um crime)/ Share it fairly (Divida-o justamente)/ but don't take a slice of my pie (mas não pegue uma fatia da minha torta) [...]"

Você tem uma boa relação com dinheiro? Costuma conversar sobre o assunto?

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