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12
jul
2015

Arrumando a minha gaveta de fotografias eu notei que tenho poucas fotos da minha infância, um pouco mais da minha adolescência e um mundo de fotos da minha fase adulta. As facilidades que a era digital trouxe, revolucionaram a fotografia. Não há mais limites pra quantas fotos podemos tirar e não precisamos mais revelá-las, para que possam ser visualizadas. Assim como tudo do mundo, essa revolução tem um lado maravilhoso e outro nem tanto. Listei alguns problemas e as soluções que eu encontrei para lidar com esse mundo de fotos:

1 – Assim que volto de uma viagem ou evento, seleciono as fotos que serão guardadas

A primeira grande facilidade / vantagem desse mundo digital é o número de fotos que os cartões digitais comportam. O menor deles armazena muito mais do que um filme de 48 poses. Só que, com essa possibilidade, perdemos o limite em relação ao número de fotos que tiramos. Além de ser possível registrar tudo de mais bacana que encontramos, ainda tiramos mil vezes a mesma foto, até que ela fique perfeita. Só que isso gera uma montanha de cliques, que uma hora vai lotar o seu computador/HD e gerar uma preguiça enorme de revê-la. Assim como busquei uma simplificação do meu armário, também passei a seguir um procedimento em relação às fotos. Após o retorno de cada viagem, eu separo um tempinho pra passar um pente fino nas fotos tiradas. Começo apagando todas as que ficaram sem foco. Depois ataco aquelas sequências de fotos parecidas, deixando apenas a melhor delas. Por último, separo as que eu mais gostei entre as que restaram, que serão utilizadas para confecção do álbum daquela viagem.

2 – HD: o grande salvador de memórias

Não dá pra confiar só no computador pra armazenar as nossas fotos. É impossível imaginar o quanto eu piraria se ele pifasse e eu perdesse tudo. Por isso, comprei um HD de 500Gb pra armazenar todas as fotos aqui de casa. Pra facilitar, organizo tudo em pastas. Uma geral, chamada FOTOS, subpastas nomeadas com os anos e, dentro delas, pastas com o nome dos eventos. Isso simplifica muito, quando preciso localizar alguma coisa correndo. Ah, outra grande vantagem desse tipo de armazenamento é deixar o seu computador mais leve e, consequentemente, mais rápido.

3 – Álbuns montados pela internet

Já fiz um post falando sobre montagem de álbuns pelo Nicephotos. Caso não tenha visto, clique aqui. As vantagens de montar um álbum online, que depois de concluído, será recebido pelos Correios, são:

- ter as fotos mais especiais de uma viagem ou evento impressas;

- poupar espaço.

Com todas essas mudanças no mundo da fotografia, perdemos o hábito de revelar fotos e, como consequência, acabamos revendo esses registros com menos frequência. Fora que o álbum é uma maneira muito simples e agradável de mostrar fotos para amigos e familiares. Vamos combinar, só os nossos pais têm saco de ver as duas mil fotos da última viagem. Cada álbum comporta cerca de 250 fotos. Imprimir todas elas e usar álbuns de fotografias comuns, ocuparia muito mais espaço. Os álbuns criados pela internet são muito finos, além de ter uma excelente qualidade de impressão.

4 – Em viagens ou eventos importantes, tire fotos com a máquina

Parece óbvio, mas não é. Se você não tem um IPhone 6, um Galaxy, ou qualquer outro telefone, cujas fotos sejam tiradas com uma qualidade incrível, siga a minha dica. Na época em que fui para Los Angeles e Las Vegas, três das quatro pessoas do grupo tinham IPhone 4S e uma tinha um Galaxy. Durante a viagem, a preguiça bateu e tiramos boa parte das fotos com os telefones. Resultado: na volta, antes de conhecer os álbuns montados online, resolvi imprimir os melhores cliques. Adivinha? Todas as fotos tiradas com IPhone 4S não tinham qualidade para revelação e ficaram terríveis. Só deu pra salvar as fotos tiradas com o Galaxy (não lembro o número) e as poucas que tiramos com a máquina. Fiquei mal com isso e não recomendo pra ninguém.

5 – Bom senso, sempre!

Em tempos de grande exposição nas redes sociais, não custa lembrar algumas regrinhas básicas de etiqueta:

- se você saiu incrível em uma foto e a pessoa ao seu lado, péssima, não compartilhe;

- nunca poste foto de crianças sem saber a opinião dos pais  sobre a sua exposição em redes sociais. Uma amiga das antigas não publicava absolutamente nada da filha e postar fotos da menina era um passo pra arrumar briga com a mãe. A opinião dos pais é sempre soberana nesse caso. Na dúvida, pergunte;

- fotos de momentos de intimidade dispensam explicações, certo? Aquela foto acordando com o seu amor, ou aquele beijo molhado de língua deve obedecer o nome e permanecer íntima;

- a menos que você seja a Kim Kardashian, manere na selfies. A menos que não se importe de perder seguidores ou ter seus posts silenciados por eles. Amor próprio tem limite!

6 – Viva mais, fotografe menos

Um dos livros que eu li na minha viagem de lua de mel foi o “Feliz por Nada”, da Martha Medeiros , que nada mais é do que uma coletânea de mais de oitenta crônicas da autora. Dentre elas, uma foi especialmente inesquecível pra mim, a Capturados. Nele, ela questiona a validade de experiências que não são fotografadas, numa crítica à banalização da fotografia, resultado da tal era digital. “A vida também acontece sem provas documentais”, Martha diz, revelando que as suas duas últimas viagens àquela época, haviam sido feitas sem que ela tivesse tirado uma só foto e completa falando que algumas experiências são tão fortes e marcantes, que não precisam de registro para serem lembradas. Acho esse texto incrível e recomendo a sua leitura, como forma de refletir sobre a nossa relação atual com a fotografia. Será que estamos deixando de viver plenamente os momentos importantes para registrá-los e compartilhá-los? Até onde as nossas redes sociais deverão ser abastecidas com TUDO de melhor ou pior que nos acontece? Venho me fazendo essas perguntas com frequência, especialmente agora, que tenho o blog. Com o passar do tempo, quem trabalha com isso vira um radar de coisas e experiências “postáveis” e fica muito fácil se perder. Por isso, não me julgo e sinto até uma ponta de orgulho na maioria das vezes em que me esqueço de fotografar alguma coisa. Nas festas, o telefone fica dentro da bolsa e a única preocupação é curtir as pessoas que me são queridas. Alguns dias das viagens são só pra relaxar. Sair sem maquiagem, flanar pelas ruas na cidade visitada, produzindo lembranças e não registros.

Use a fotografia sempre, mas com moderação! Viva mais.

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