≡  
15
jun
2015

Olha, essa foi a primeira semana inteira sem dar as caras por aqui. Estou no meio de diversos livros fortes, no meio de um processo de transformação e eu precisei de um tempo pra processar tudo. Estive me preparando psicologicamente para aplicar o método da Marie Kondo aqui em casa. Minha casa está sempre arrumada, mas me incomodava muito ver o meu marido com pouco espaço nos armários. Eram três, quatro vestidos por cabide. Sapatos que eu passava meses sem usar. Vinha sonhando com um estilo de vida mais simples e desapegar seria o primeiro passo para começar. Quantas vezes por ano você limpa o seu armário? Quando eu falo em limpar, quero dizer tirar tudo e limpar mesmo. Como fazer isso quando ele está completamente lotado? Já me dei todas as desculpas conhecidas, sendo a mais famosa : não tenho coisas demais, o meu armário é que é muito pequeno.

Não, você não tem pouco espaço. Eu dividi armário quase que a minha vida toda, com a minha avó, com o meu marido. Nunca tive muito espaço e também nunca me toquei que eu sempre tive espaço suficiente. Se o seu armário comporta mais de sessenta e dois vestidos, quarenta e uma saias, vinte e oito calças, quase duzentas blusas, vinte shorts, cinco macaquinhos e trinca casacos, desculpa, você tem muito espaço. Pode não ser um closet cinematográfico, com espaços adequados para cada tipo de peça, mas é espaço suficiente para guardar quase quatrocentas peças de roupa. E essa foi um conceito muito bacana do livro, você possui espaço suficiente. A proposta era tirar absolutamente tudo o que você possui de determinada categoria e colocar no chão da sala. Comecei pelas roupas, como o livro recomenda. Tirei tudo do armário, do cesto de roupas sujas e das roupas pra passar e separei por subcategorias na sala. Blusas, camisas e camisetas numa pilha. Saias na outra. Shorts, calças, terceiras peças (blazers e casacos), bolsas, sapatos, biquínis, lenços, saídas de praia, roupas de dormir, macaquinhos, cada um na sua pilha. Por isso eu tenho noção da quantidade que eu possuía de cada peça. Feito isso, a proposta é pegar peça por peça e se perguntar se ela te traz alegria. Sempre achei que seria incrível ter só filé mignon no armário. E a proposta é basicamente essa, deixar somente aquilo que te faz feliz. Só que eu sempre tive a impressão de que seria pouco, que eu não conseguiria viver só com as peças “tops”.

Pra evitar que você perca a concentração, a seleção deverá ser feita em silêncio, portanto, a TV, o computador, o Ipod, tudo ficou desligado por aqui. As primeiras peças são as mais difíceis. Como assim alegria? Eu acabava inconscientemente acionando outros critérios, como há quanto tempo a peça não era usada. Até que uma hora veio o clique. Pegava um vestido, por exemplo, e não conseguia imaginar o meu armário sem ele. Quando eu tenho que me arrumar rápido, ele resolve a minha vida. Ou pegava uma saia e só conseguia pensar que ela marca gordurinhas que eu não gosto de destacar. Hora de desapegar. Confesso que não consegui ser rápida com algumas roupas. Quando isso acontecia, eu separava numa pilha de repescagem e continuava, para não atrapalhar o processo. Depois que terminei de selecionar tudo o que permaneceria na minha casa, experimentei todas as roupas da pilha da repescagem. Eram cerca de trinta e eu estava tendo dificuldade em desapegar delas. Experimentar foi uma excelente solução. Das trinta, eu devo ter ficado com umas cinco.

Marie Kondo diz que você deve fazer esse processo de selecionar todas as coisas que você quer que permaneçam em sua casa em um só dia. Gente, ou eu sou muito apegada, ou eu era uma acumuladora, ou essa moça é doida. Fiquei doze horas só nas roupas! Parti, então, para a limpeza do armário. Aproveitei que ele estava vazio e limpei cada cantinho. E chegou a hora de colocar tudo no lugar. O meu maior medo nessa hora era, depois de todo esse trabalho, perceber que eu ainda tinha coisas demais. Ah, para arrumar tudo, usei as técnicas do método KonMari. Foi incrível perceber todas as minhas coisas estavam visíveis ao abrir a gaveta. E ter espaço, essa foi outra sensação inesquecível.

Só que, além da questão da arrumação, tocar e olhar todas as suas peças de roupa em um só dia, te coloca num túnel do tempo. As nossas coisas não são somente coisas. Esse processo resgata a relação emocional que temos com cada item, cada recordação. E essa é uma forma de confrontar alguns momentos e superá-los, deixá-los pra trás. Fora a questão emocional, pude também perceber padrões de consumo. Tenho uma dificuldade enorme de comprar peças lisas; sou PÉSSIMA com liquidações; já comprei roupas pra empregos que eu nunca tive e pra uma pessoa que eu nunca vou ser; já comprei sapatos lindos, que me faziam chorar de tanta dor; já comprei os sonhos de consumo da minha adolescência, que certamente não fazem muito sentido na minha fase atual. E como um dos principais itens das minhas metas pra esse ano era melhorar ainda mais a minha relação com o dinheiro, esse processo de avaliação e desapego era muito necessário. Preciso de blusas e vestidos lisos. E só. Tenho demais de tudo e acho que o auge de todo esse processo vai ser a gratidão e o apreço por tudo o que já está aqui.

Dá só uma olhada nos Antes e Depois:

Pra terminar, as sacolas do desapego:

Agora é hora de dar um novo destino pra todas as peças. Decidi que, das cinco sacolas, quatro serão doadas e uma terá o conteúdo vendido no Enjoei. Em breve eu darei mais notícias da minha lojinha por aqui.

E você, também sofre desse mal? Tá com o armário lotado? Qual é a motivação que te falta pra começar o processo? Lembrando que o inverno está chegando e tem MUITA gente precisando, MESMO, de roupas por aí. Por um armário prático, pelo consumo consciente, pelo meio ambiente, por mais dinheiro pras coisas importantes da vida, pelo próximo, por você.

Abra espaço pro novo na sua vida.

Comentários

Nenhum comentário foi publicado para este post. Seja o primeiro a comentar...

Instagram