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10
maio
2015

Nessas muitas pesquisas que eu faço para o blog, cheguei até o projeto Minha mãe fazia, da jornalista Ana Holanda. A proposta é simples, o resgate de imagens e de textos que remetam às comidinhas do dia a dia e às memórias ligadas a nossa infância. A comida tem todo um significado afetivo na nossa vida e é capaz de atuar como uma máquina do tempo, nos transportando para dias felizes de um passado distante. Ao ler a proposta desse projeto, não pude evitar de lembrar do livro de receitas da minha avó. Pedi que a minha mãe me emprestasse, para que eu matasse um pouquinho da saudade e pudesse lembrar de muitos bons momentos.

Mas hoje, com o caderno em mãos, meu pensamento foi muito além das receitas e comidas maravilhosas da minha vozinha. Pude olhar a letra linda da D. Mariza e senti muita saudade da época em que a gente conhecia a letra das pessoas. Pude lembrar de uma época em que vivíamos desconectados virtualmente, e muito, muito conectados pessoalmente. Fui criada em uma vila, que fica na Praça Seca, Jacarepaguá, Rio de Janeiro. E desejei profundamente poder morar em uma um dia e tentar proporcionar aos meus filhos um pouquinho da infância que eu tive. Hoje, a gente festeja o ar condicionado, só que boa mesmo era a época em que ele não era comum e nas noites de verão a gente colocava a TV na porta de casa e sentava na vila, junto com os nossos vizinhos, para bater papo e assistir às novelas.

Senti muita falta de ser surpreendida quando o telefone fixo tocava e a gente não sabia quem estava ligando, muito antes de identificadores de chamada e celulares. Dos bolos feitos em casa em cada data especial ou em uma sexta-feira qualquer e de comer o que sobrava da massa crua que sobrava na batedeira, quando o bolo já estava no forno. De decorar os meus bolos de aniversário com Confete. Chega a doer a falta dos bifinhos de carne moída, de goiaba direto do pé, de sopa de legumes no inverno.

Além de anotar as suas receitas e as receitas dos amigos, o livro é cheio de recortes de receitas que a vovó achava em revistas, jornais e embalagens de produtos. Senti falta das pesquisas para a escola feitas em enciclopédias, de copiar a letra das músicas que eu gostava em inglês e a tradução em um caderno, de passar a tabuada com a vovó no sofá. Saudade de uma infância de jogos de tabuleiro, de ganhar da mamãe no Jogo da Memória, de pegar o vovô me roubando ao jogar buraco. Até dos machucados eu senti falta e foram muitos, eu não sabia correr. Se você se machucar eu te bato, dizia a minha mãe, tentando prevenir as muitas cicatrizes que eu trago no corpo. Besteira dela, na hora eu chorei, fingi desmaiar ao ver o meu ombro em carne viva. Hoje, eu amo cada uma delas e posso contar as histórias das marcas da minha doce infância.

Deu saudade de esperar a férias para ganhar o Almanacão da Turma do Mônica, da minha caixa cheia de revistas em quadrinhos, de ir na feira, de passear na praça, dos livros de colorir que eu pintava com a minha mãe. Fica aqui a minha homenagem às mulheres/mães maravilhosas que eu conheci, em especial à minha mãe e à minha vozinha, que me inspiram todos os dias a me tornar a melhor mulher que eu puder ser.

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