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12
abr
2015

Eu fui uma criança ativa e muito magra, fui uma adolescente sedentária e muito magra e sou uma adulta... Bem foi na minha fase adulta que a vida mandou a conta. Não só do sedentarismo, como dos meus terríveis hábitos alimentares. Quando criança, eu podia comer doces à vontade. E lá em casa, a gente nunca foi muito de dividir barra de chocolate. Era cada um com a sua, que era imediatamente devorada. Cresci acreditando que eu poderia comer tudo sem engordar e assim eu segui com a minha compulsão alimentar. E os exercícios, bem, após uma breve tentativa de jogar beach soccer na adolescência, a preguiça e as desculpas falaram mais alto. Cheguei aos 20 e poucos com 3 problemas pra resolver:

 Barriga sequinha mesmo sedentária - 17 anos

1 - Coca-Cola

Quando eu era pequena, lá nos anos 80, não havia muita gente falando dos males do consumo exagerado de refrigerante. Fora que a internet não era o que é hoje, a gente não tinha acesso a tantas informações como a gente tem hoje. Dito isso, o fato era que esse liquidozinho preto delicioso era água na minha casa. E não tinha esse papo de beber só aos finais de semana, não. A gente bebia todos os dias, em todas as refeições. Algumas vezes eu tomava no café da manhã. Pensava na cafeína (até então eu não gostava de café) e tomava, achando que ia me ajudar a acordar. Cheguei ao absurdo de consumir 2l por dia. E eu simplesmente não bebia água. Era papo de tomar um copo por semana. Com isso, quando cheguei nos meus 25 anos, eu comecei a ter uma sequência interminável de infecções urinárias e uma infecção renal. Era o fim da era da Coca-Cola. Mas não foi tão fácil assim, eu era viciada. Tive crise de abstinência, insônia, acordava no meio da noite, precisando de um golinho. Tentava beber só nos finais de semana. Mas isso não era o bastante, eu tinha que desmamar do refrigerante e encarar diariamente os famosos 2L de água. Ah, mas água não tem gosto de nada. Não dava mais pra ir na onda das desculpas, beber água era obrigação. Achei então uma estratégia que funcionou pra mim, ter uma garrafa de 1,5L de água na minha mesa de trabalho. Todos os dias eu tinha um compromisso comigo de acabar com essa garrafa antes de ir embora. Não foi fácil, mas funcionou. Hoje eu não faço questão de refrigerante. Posso jantar e tomar água, que já está bom. Mas também não facilito, já que o problema são os hábitos, nada de refrigerante em casa. Não comprar ajuda a não consumir.

Mais cheinha aos 28, abrançando o pecado.

2 – Doces

Eu nunca fui gorda, mas chegou uma época que as minhas roupas não me serviam mais. Não ganho quadril ao engordar, nem perna, nem bunda. Ganho boia, fico larga na altura do umbigo. Ganho braço e busto. Viro um sapo (desculpa, não é um texto meu, se não tiver uma dose de exagero). Mas não acredito em dietas altamente restritivas, uma hora você acaba chutando o balde e engordando o dobro. Acredito em reduzir as quantidades. E essa é uma batalha que eu ainda não ganhei. O chocolate sempre foi a minha muleta, felicidade certa. E eu sempre fui esganada, precisava da barra toda. Enquanto não acabasse, eu não parava. Precisava de 2l de sorvete, de dois picolés, do pacote inteiro de biscoito. Em relação a essa compulsão, eu tenho que me vigiar o tempo todo. Uso a tática do refri, procuro não ter em casa, pra não cair em tentação. Mas nesse caso, nem sempre eu consigo. Todo dia eu recomeço a minha luta, de enfiar na minha cabeça, que não precisa ter sobremesa depois de todas as refeições. De que eu posso comer só um pedaço e ficar satisfeita. Tem dia que vai metade da barra, fico numa ansiedade de matar logo, pra não ter mais em casa. Depois, fico mal, levanto a cabeça e recomeço.

 Tomando vergonha na cara aos 31.

3 – Sedentarismo

Eu adoraria emagrecer no sofá, assistindo as minhas séries e aos meus filmes. Mas isso não vai acontecer. Tinha aquele texto na ponta da língua, de que odeio o clima de academia, com aquela galera fazendo social e respirando Whey Protein. Só que as minhas vontades e os meus preconceitos não mudariam o fato de que eu tinha / precisava colocar o meu corpo em movimento. Começando pelo preparo físico que eu tinha, não aguentava subir três lances de escada sem ficar ofegante, tinha crises de câimbra na batata da perna no meio da noite. Fora o meu encurtamento, eu tinha o alongamento de uma senhora de 90 anos, mal tocava os meus joelhos. Fora o fator "30 anos", que muda demais o corpo. Após muitas pesquisas, acabei fechando um plano semestral na Bodytech. Sim, também acho caríssimo. Mas é aí que vai entrar a questão das prioridades. Não adianta comprar roupa todo mês, seguir insatisfeita com o corpo, e me falar que a academia é cara. Se você é um malhador (a) experiente e ama a dupla musculação + combo esteira/transport/bicicleta, maravilha. A Smart Fit vai ser um grande negócio. Mas eu detestava me exercitar, precisava do maior número de opções possível, pra descobrir se existe algum exercício que me faça sair de casa. Vou contar mais da minha experiência na Bodytech num próximo post, tenho bastante coisa pra falar sobre isso. Só que do alto da experiência de quem venceu o sedentarismo, eu vou arriscar um conselho: aquelas duas blusas que você comprou na semana passada, sabe? Então, não vão mudar a sua vida, nem fazer falta no seu armário lotado. Mas ter um corpo saudável, ter uma relação mais bacana com o seu corpo, vai multiplicar as possibilidades de usar aquilo que você já tem.

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